Voltai-vos para o Senhor: o chamado de Joel e a promessa do Espírito
Em meio à praga, à seca e à fome, Deus convocou o seu povo a voltar-se para ele e prometeu derramar o seu Espírito sobre toda a carne. Uma mensagem de Joel que continua falando à igreja hoje.
Ao expor o livro de Joel, a mensagem partiu do cenário descrito pelo profeta: uma praga seguida de grande seca, em que a videira, a figueira, a romeira, a palmeira, a macieira e todas as árvores do campo secaram, e com elas a alegria dos filhos dos homens (Jl 1.12). O pregador lembrou que cerca de 60% do território de Israel é deserto, o que tornava o quadro de escassez ainda mais grave.
Diante disso, Deus usa o profeta para fazer um apelo constante: que o povo se volte para o Senhor, como já se dizia desde a inauguração do templo, no tempo de Salomão. Joel convoca sacerdotes, ministros, anciãos e todos os moradores da terra a santificar o jejum, reunir-se na casa do Senhor e clamar a ele (Jl 1.13-14), pois o dia do Senhor está perto (Jl 1.15; 2.1,11).
A mensagem tocou também a realidade do nosso país, com dificuldades econômicas, desemprego e fome, que geram desespero e violência. O alerta foi direto: não esperemos a crise bater à nossa porta para clamar ao Senhor. Fomos postos aqui para ser sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13-14), e não estamos de passeio nesta terra.
Deus pede conversão sincera: “convertei-vos a mim de todo o vosso coração”, com jejum e choro, rasgando o coração e não as vestes (Jl 2.12-13). O chamado alcança até quem só ouve a Palavra aos domingos e, durante a semana, está tão tomado por coisas que disputam sua atenção, nem sempre pecaminosas, que deixa Deus em segundo plano. O Senhor é misericordioso, ou seja, não dá ao povo o que ele merece, é paciente e grande em benignidade. Quando o povo volta, ele se arrepende do mal que traria e deixa bênção (Jl 2.13-14).
A resposta de Deus revela o seu coração: ele é zeloso pela sua terra, compadece-se do povo, promete não o entregar mais ao opróbrio e restituir os anos que o gafanhoto consumiu (Jl 2.18-19,25). Ele quer colocar alegria onde havia medo e ansiedade, e estar no meio do seu povo (Jl 2.27), no tabernáculo, no templo e, agora, na pessoa de Jesus, o Emanuel.
Então vem a promessa de Joel 2.28-32. No Antigo Testamento, o Espírito vinha sobre pessoas específicas, como reis, profetas e sacerdotes. Agora seria derramado sobre toda a carne, sobre filhos e filhas, velhos e jovens, servos e servas, sem distinção de idade, sexo ou classe social. Antes do grande dia do Senhor haveria sinais no céu e na terra, e todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.
O cumprimento está em Atos 2. No Pentecostes, pessoas de todas as nações ouviram as grandezas de Deus na própria língua, e Pedro explicou que aquilo era o que Joel havia profetizado (At 2.16-21), lembrando que Deus sempre quis alcançar todos os povos, como prometeu a Abraão (Gn 12.3). Pedro chamou ao arrependimento e ao batismo em nome de Jesus, para o perdão dos pecados e o dom do Espírito (At 2.36-38). A promessa vale para os ouvintes, para os seus filhos e para os que estão longe (At 2.39), e cerca de três mil se converteram (At 2.41). Desde a cruz e a vinda do Espírito, vivemos os últimos dias, até a volta de Jesus.
O Espírito habita permanentemente no crente e transforma o modo de falar, de se relacionar e de trabalhar. Por isso a igreja é chamada a impactar o país com valores cristãos, com amor e oração, e não com discurso de ódio. O dia do Senhor será glorioso para os que são de Cristo, mas de juízo para os que não o conhecem. Deus ainda quer restituir, abençoar e dar paz a quem se volta para ele.
Referências: Jl 1.12-15; 2.1,11-14,18-19,25,27-32 · At 2.16-21,36-39,41 · Gn 12.3 · Mt 5.13-14